terça-feira, 10 de novembro de 2009
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
meu amor!
Meu amor, basta ouvir a entoação. Repara, quando digo “meu amor” digo-o de forma diferente de “meu amor”. É bem claro, se digo “meu amor” não digo “meu amor”. Entendes, meu amor? “Meu amor” chamo a quem gosto e por quem tenho estima. Já “ meu amor”… não. Não chamo a ninguém. Devo ter chamado “meu amor” a duas pessoas na minha breve vida, mas não volto a fazê.lo. Não. Fechei quem de direito à chave e não volto a abrir. Acabou. Acabou e não há mais “meu amor” para ninguém. Fico com os “meus amores”. Pessoas de quem gosto e pelos quais tenho uma leal estima e que vão deixando marcas…marcas bonitas de serem sentidas. Entendes, meu amor?
quarta-feira, 10 de junho de 2009
Que fazer quando a consciência não se cala, quando já não suportamos mais uma certa podridão que sentimos cá dentro, quando todos os argumentos que desenhámos já não nos dão sossego, quando nos assalta uma amargura infinita e vemos em nós um monstro?Chega um momento em que sentimos necessidade de um banho interior que nos limpe, de um fogo que nos purifique. Que fazer? Existirá uma coisa assim, capaz de tocar o intocável? Haverá uma solução que impeça o desespero? Existirá qualquer coisa que torne possível começar realmente uma vida nova? Pode-se voltar a ser criança, ter de novo os olhos limpos?
Mais uma vez eu tropecei com uma verdade que não compreendi. Julguei-me perdido, julguei descer ao fundo do desespero e, uma vez aceite a renúncia, conheci a paz. Parece que naqueles momentos nos descobrimos a nós próprios e nos tornamos nossos amigos. Nada mais poderia prevalecer contra um sentimento de plenitude que satisfaz em nós não sei que necessidade essencial, que desconhecemos.
Cada um que passa na nossa vida passa sozinho, pois cada pessoa é única e nenhuma substitui outra. Cada um que passa na nossa vida passa sozinho, mas não vai só, nem nos deixa sós. Leva um pouco de nós mesmos, deixa um pouco de si mesmo. Há os que levam muito; mas não há os que não levam nada. Há os que deixam muito; mas não há os que não deixam nada. Esta é a maior responsabilidade da nossa vida e a prova evidente de que duas almas não se encontram por acaso.
segunda-feira, 25 de maio de 2009
"QUEM SOU EU? Uma pergunta difícil que merece, no mínimo, uma resposta complicada. Quem sou eu? Eu sou único. Todos nós o somos, pelo menos nas nossas opiniões. Todos nós somos diferentes, no entanto, todos somos iguais. Ser único está restrito a um pequeno grupo de pessoas. Essas pessoas são únicas por aquilo que conseguem realizar na vida.
A vida. A vida não devia ser medida em dias, semanas, meses, nem sequer em anos mas sim pelos feitos que nós realizamos no tempo que temos disponível para habitar este mundo. Ninguém se vai lembrar mais de nós apenas porque vivemos até aos 80 anos, mas sim por aquilo que fizemos enquanto cá estivemos. Isso sim é o mais próximo da verdadeira imortalidade a que alguma vez vamos chegar.
A nossa singularidade é comparável às ondas do mar. Cada onda vista como uma onda individual, é diferente das outras. Desde a sua formação, até ao percurso realizado, onde chega à zona de rebentamento, cada onda é diferente da outra. Mas quando vista no conjunto, é tudo mar. Diferentes entre elas mas iguais nas suas curtas vidas e nos seus percursos. E assim é a vida das pessoas. Nascem, vivem, e morrem. Para cair no esquecimento das gerações seguintes. Únicos são aqueles que marcam as suas diferenças e não deixam que as suas memórias sejam esquecidas.
Isso leva-me de volta a minha questão inicial. Quem sou eu? Eu sou uma pessoa que tenta deixar a sua marca mas que de certa forma ainda não foi capaz. Quem sou eu? Eu sou o eterno apaixonado, um homem sonhador, um lutador feroz no que toca aos objectivos da vida. Sou uma pessoa complexa, cheio de confiança mas ao mesmo tempo muito inseguro. Tenho sonhos a realizar e tento aproveitar cada dia para o fazer. Mas confesso que na realidade nem sempre o consigo.
E tu? Quem és?"
A vida. A vida não devia ser medida em dias, semanas, meses, nem sequer em anos mas sim pelos feitos que nós realizamos no tempo que temos disponível para habitar este mundo. Ninguém se vai lembrar mais de nós apenas porque vivemos até aos 80 anos, mas sim por aquilo que fizemos enquanto cá estivemos. Isso sim é o mais próximo da verdadeira imortalidade a que alguma vez vamos chegar.
A nossa singularidade é comparável às ondas do mar. Cada onda vista como uma onda individual, é diferente das outras. Desde a sua formação, até ao percurso realizado, onde chega à zona de rebentamento, cada onda é diferente da outra. Mas quando vista no conjunto, é tudo mar. Diferentes entre elas mas iguais nas suas curtas vidas e nos seus percursos. E assim é a vida das pessoas. Nascem, vivem, e morrem. Para cair no esquecimento das gerações seguintes. Únicos são aqueles que marcam as suas diferenças e não deixam que as suas memórias sejam esquecidas.
Isso leva-me de volta a minha questão inicial. Quem sou eu? Eu sou uma pessoa que tenta deixar a sua marca mas que de certa forma ainda não foi capaz. Quem sou eu? Eu sou o eterno apaixonado, um homem sonhador, um lutador feroz no que toca aos objectivos da vida. Sou uma pessoa complexa, cheio de confiança mas ao mesmo tempo muito inseguro. Tenho sonhos a realizar e tento aproveitar cada dia para o fazer. Mas confesso que na realidade nem sempre o consigo.
E tu? Quem és?"
domingo, 17 de maio de 2009
É o tempo agora Que demora a apagar! É o vento lá fora Que me diz para ficar! Mesmo sem querer, Vejo-me a pedir Um sinal que a saudade embarga... Ninguém pode ocupar O vazio do teu lugar aqui! Onde tu estás Não sei... Um lugar que eu perdi... Não te esqueças que eu Nunca me esqueci de ti! É a música agora Que me diz para esperar! É a imagem de outrora Que me faz acreditar! Pudesse o céu falar Aquilo que quero ouvir Um sinal que a saudade embarga... Ninguém pode ocupar O vazio do teu lugar aqui!
As crianças não interrompem por mal, mas por pressa. Sempre que lhes passa alguma coisas pela cabeça, seja um pensamento novo, uma necessidade mediata ou imediata, uma pergunta pertinente ou uma pequeníssima dúvida, dizem. E imediatamente. Não deixam a coisa arrefecer nem um minuto; têm medo de se esquecer, de explodir, não sei.
Não lhes interessa nada que o interlocutor esteja a falar ao telefone, a discutir o futuro da Nação com líderes mundiais, a preencher a declaração de IRS ou na casa-de-banho. Eles têm de transmitir o que lhes vai na garganta, como se estivessem acabado de descobrir a cura para a gripe suína. Em matéria de interrupções não há crianças mais interruptoras que outras. São todas péssimas. A diferença está nos adultos: os que se deixam interromper e os outros.
Não lhes interessa nada que o interlocutor esteja a falar ao telefone, a discutir o futuro da Nação com líderes mundiais, a preencher a declaração de IRS ou na casa-de-banho. Eles têm de transmitir o que lhes vai na garganta, como se estivessem acabado de descobrir a cura para a gripe suína. Em matéria de interrupções não há crianças mais interruptoras que outras. São todas péssimas. A diferença está nos adultos: os que se deixam interromper e os outros.
De súbito sabemos que é já tarde. Quando a luz se faz outra, quando os ramos da árvore que somos soltam folhas e o sangue que tínhamos não arde como ardia, sabemos que viemos e que vamos. Que não será aqui a nossa festa. De súbito chegamos a saber que andávamos sozinhos. De súbito vemos sem sombra alguma que não existe aquilo em que nos apoiávamos. A solidão deixou de ser um nome apenas. Tocamo-la, empurra-nos e agride-nos. Dói. Dói tanto! E parece-nos que há um mundo inteiro a gritar de dor, e que à nossa volta quase todos sofrem e são sós. Temos de ter, necessariamente, uma alma. Se não, onde se alojaria este frio que não está no corpo? Rimos e sabemos que não é verdade. Falamos e sabemos que não somos nós quem fala. Já não acreditamos naquilo que todos dizem. Os jornais caem-nos das mãos. Sabemos que aquilo que todos fazem conduz ao vazio que todos têm. Poderíamos continuar adormecidos, distraídos, entretidos. Como os outros. Mas naquele momento vemos com clareza que tudo terá de ser diferente. Que teremos de fazer qualquer coisa semelhante a levantarmo-nos de um charco. Qualquer coisa como empreender uma viagem até ao castelo distante onde temos uma herança de nobreza a receber. O tempo que nos resta é de aventura. E temos de andar depressa. Não sabemos se esse tempo que ainda temos é bastante. E de súbito descobrimos que temos de escolher aquilo que antes havíamos desprezado. Há uma imensa fome de verdade a gritar sem ruído, uma vontade grande de não mais ter medo, o reconhecimento de que é preciso baixar a fronte e pedir ajuda. E perguntar o caminho. Ficamos a saber que pouco se aproveita de tudo o que fizemos, de tudo o que nos deram, de tudo o que conseguimos. E há um poema, que devíamos ter dito e não dissemos, a morder a recordação dos nossos gestos. As mãos, vazias, tristemente caídas ao longo do corpo. Mãos talvez sujas. Sujas talvez de dores alheias. E o fundo de nós vomita para diante do nosso olhar aquelas coisas que fizemos e tínhamos tentado esquecer. São, algumas delas, figuras monstruosas, muito negras, que se agitam numa dança animalesca. Não as queremos, mas estão cá dentro. São obra nossa. Detestarmo-nos a nós mesmos é bastante mais fácil do que parece, mas sabemos que também isso é um ponto da viagem e que não nos podemos deter aí. Agora o tempo que nos resta deve ser povoado de espingardas. Lutar contra nós mesmos era o que devíamos ter aprendido desde o início. Todo o tempo deve ser agora de coragem. De combate. Os nossos direitos, o conforto e a segurança? Deixem-nos rir... Já não caímos nisso! Doravante o tempo é de buscar deveres dos bons. De complicar a vida. De dar até que comece a doer-nos. E, depois, continuar até que doa mais. Até que doa tudo. Não queremos perder nem mais uma gota de alegria, nem mais um fio de sol na alma, nem mais um instante do tempo que nos resta.
Desde criança tive a tendência para criar em meu torno um mundo fictício, de me cercar de amigos e conhecidos que nunca existiram. (Não sei, bem entendido, se realmente não existiram, ou se sou eu que não existo. Nestas coisas, como em todas, não devemos ser dogmáticos.) Desde que me conheço como sendo aquilo a que chamo eu, me lembro de precisar mentalmente, em figura, movimentos, carácter e história, várias figuras irreais que eram para mim tão visíveis e minhas como as coisas daquilo a que chamamos, porventura abusivamente, a vida-real. Esta tendência, que me vem desde que me lembro de ser um eu, tem me acompanhado sempre, mudando um pouco o tipo de música com que me encanta, mas não alterando nunca a sua maneira de encantar."
"Quantas vezes nós pensamos em desistir, deixar de lado, o ideal e os sonhos; Quantas vezes batemos em retirada, com o coração amargurado pela injustiça; Quantas vezes sentimos o peso da responsabilidade, sem ter com quem dividir; Quantas vezes sentimos solidão, mesmo cercado de pessoas; Quantas vezes falamos, sem sermos notados; Quantas vezes lutamos por uma causa perdida; Quantas vezes voltamos para casa com a sensação de derrota; quantas vezes aquela lágrima, teima em cair, justamente na hora em que precisamos parecer fortes; Quantas vezes pedimos a Deus um pouco de força, um pouco de luz; E a resposta vem, seja lá como for, um sorriso, um olhar cúmplice, Um cartão, um bilhete, um gesto de amor; E a gente insiste; Insiste em prosseguir, em acreditar, em transformar, em dividir, em estar, em ser; E Deus insiste em nos abençoar, em nos mostrar o caminho: Aquele mais difícil, mais complicado, mais bonito. E a gente insiste em seguir, por que tem uma missão, Ser Feliz e Fazer as pessoas Felizes"
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