domingo, 17 de maio de 2009

As crianças não interrompem por mal, mas por pressa. Sempre que lhes passa alguma coisas pela cabeça, seja um pensamento novo, uma necessidade mediata ou imediata, uma pergunta pertinente ou uma pequeníssima dúvida, dizem. E imediatamente. Não deixam a coisa arrefecer nem um minuto; têm medo de se esquecer, de explodir, não sei.
Não lhes interessa nada que o interlocutor esteja a falar ao telefone, a discutir o futuro da Nação com líderes mundiais, a preencher a declaração de IRS ou na casa-de-banho. Eles têm de transmitir o que lhes vai na garganta, como se estivessem acabado de descobrir a cura para a gripe suína. Em matéria de interrupções não há crianças mais interruptoras que outras. São todas péssimas. A diferença está nos adultos: os que se deixam interromper e os outros.

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